Os moradores dos 19 bairros da região do Maria Antônia foram ouvidos pelos vereadores da Câmara Municipal de Sumaré na noite desta segunda-feira (10/04) durante a segunda audiência pública promovida pela CEI (Comissão Especial de Inquérito) que investiga o contrato entre a prefeitura e a Odebrecht Ambiental. O evento foi realizado na EMEF (Escola Municipal de Ensino Fundamental) Profª Flora Ferreira Gomes, no Jardim Angelo Tomazin.
O presidente da comissão, Willian Souza (PT) e o presidente da Câmara Municipal, Joel Cardoso da Luz (SD), deram início aos trabalhos. A comissão é formada ainda pelo relator Josué Cardozo (SD), e membros Rudinei Lobo (PRB), Tião Correa (PTB) e Marcio Brianes (PCdoB). Também estiveram presentes os vereadores Dudu Lima (PPS), Ney do Gás (PV), e Valdir de Oliveira (DEM).
O objetivo da audiência é ouvir os moradores de todas as regiões do município sobre os serviços de água e esgoto realizados pela concessionária. Cada morador presente tem a oportunidade de registrar sua opinião e defender aquilo que considera como seus direitos. O resultado de cada audiência vai compor o relatório final que será apresentado pela comissão após o término das investigações.
“A população comprou a idéia proposta pela comissão e participou em grande número, com opiniões, denúncias e provas que vão ajudar bastante nosso trabalho de investigação. Esperamos que para as outras quatro audiências que vão acontecer até o final de maio, a participação da comunidade sumareense continue sendo expressiva. Essa CEI está realizando um belíssimo trabalho e segue contando com o apoio da população”, disse o vereador e presidente da comissão, Willian Souza.
O ex-vereador e também morador da região, Edimundo Flor de Lima, aproveitou a oportunidade e fez uso da palavra. “A Constituição Federal explica cada um dos nossos direitos, mas nós somos os responsáveis por correr atrás deles. Eu tive que ir à sede da Odebrecht reclamar da minha conta que veio R$ 300. Depois que reclamei caiu para R$ 100 e pouco. Das pessoas que não foram reclamar, a Odebrecht continua cobrando do jeito que quer”, comentou.
O morador Heleno da Silva também disse que enfrenta o mesmo problema. “Cada vez a conta vem com um valor diferente”, comentou.
Moradora do Jardim Amélia, Edilane Viana afirma que recebeu uma conta de R$ 250 e depois de reclamar, viu o valor cair para R$ 100. “Com a Odebrecht as taxas são muito caras”, desabafou.
Marcos William acredita que houve uma piora no serviço de água e esgoto em Sumaré após a concessão. “O valor das taxas está alto. O esgoto, em certos bairros, é cobrado 100% e não é tratado”, disse.
Charles Marin aponta que o DAE (Departamento de Água e Esgoto) foi sucateado propositadamente. “Fizeram isso para vender a autarquia. Disseram que não dava lucro, mas serviço público não tem que dar lucro, tem que servir à população. Hoje a qualidade da água é péssima e a gente paga pelo vento que entra pelos canos. Isso é um absurdo”.
Regina Maria também reclamou da marcação dos hidrômetros. “Estou com problema no meu hidrômetro. Eu estive fora de casa por um tempo e ele registrou dois metros a mais de água com o registro fechado. Esse relógio está girando por girar. Isso que temos que prestar atenção. Quando era o DAE eu usava até quatro metros e hoje está vindo doze metros. Esses relógios vieram de onde? Esse relógio tem problema”, dispara.
O morador Carlos Santana apresentou documentos protocolados sobre reclamações do serviço da Odebrecht Ambiental. “Entraram na minha casa com autorização de um menor de dez anos de idade e trocaram meu hidrômetro sem meu conhecimento. E o engraçado é que o hidrômetro novo que eles colocam não começa do zero. Falta à população se movimentar. Se tivessem ido para a rua seria bom. Contamos com os vereadores, mas se todos os moradores não brigarem juntos, os 21 vereadores não vão conseguir”, disse.
Arnaldo Gomes conta que quando limpa a caixa de água encontra muito barro. “Comprei um filtro e entupiu. O técnico falou que é muita terra. Se aqui a gente paga o que paga não deveria ser necessário comprar água para beber”, relatou. Ana Paula de Almeida diz que com a água muito suja não consegue nem tomar o café que faz em casa.
A qualidade da água faz com que muitos moradores tenham que comprar o recurso. “A água que chega vem sem qualidade e por isso não coloco na minha comida. Coloco para lavar roupa quando tem. E ainda me mandaram uma conta de R$ 400. Eles querem vencer a gente pelo cansaço. Temos que ficar indo lá no centro correndo atrás dos nossos direitos. Fui obrigada a pagar senão ia ficar sem água durante meu período pós-cirurgia. Quero deixar registrada minha indignação”, esbravejou.
A moradora Natalina Donizete também reclamou da água muito cara e da baixa qualidade. O comerciante Juracir Almeida garantiu que teve de comprar outra caixa devido a constante falta de água e disse ainda que não é justo pagar por um tratamento de esgoto que não existe.
O morador Orlando trouxe fotos apresentando uma água de cor escura e marrom. “Está pior que água de enxurrada, uma água barrenta. E o preço muito alto. Eu ainda tenho que pagar R$40 pelo mínimo”, revelou.
O atendimento também foi motivo de denúncia na audiência desta segunda-feira. Fabiane Oliveira conta que foi mal atendida tanto pessoalmente como por telefone. “Abri vários chamados e todos falam que não tem meu nome lá. Os funcionários são muito mal informados e também maltratam a gente. Tive uma discussão com um funcionário que me destratou. Temos que aproveitar essa voz que os vereadores estão nos oferecendo”, denunciou.
A conselheira tutelar Juliana Cunha reclamou do preço alto cobrado pela Odebrecht para realizar a religação de água. “Trabalhei 15 anos com meu pai em uma imobiliária e estou acostumada ver meu pai reclamar”, diz.
No último final de semana, a região ficou sem água e Amarildo Costa denunciou o caso. “Sexta, sábado e domingo não tivemos água. Admiro o que estes vereadores estão fazendo, mas acredito que não dá para tirar essa empresa. Mesmo assim vamos lutar para amenizar o nosso sofrimento”, disse.
A próxima audiência pública está marcada para o dia 24 de abril, na região de Nova Veneza.
Publicado em: 18 de abril de 2017
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Categoria: Notícias da Câmara
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